Sobre o Blog...

Encontro poético em que inexiste a cronologia dos poemas. Pensamos em deixar registrada uma obra que reúna qualidades individuais sob um mesmo timbre, nossa marca entendida lado a lado. Registro de luz em olhares gêmeos fecundados na sementeira do verso... Quatro mãos, uma Poesia, almas em parceria.
Miguel- & Karinna*

domingo, 19 de dezembro de 2010

Dossel*



Dossel*

É rasa
Consciência
Aleluias
Das cantilenas
Gaivotas fugidias
Mareiam pele e veias
A doçura das breves
Sempiternas ilusões
Num dossel despovoado
Das minhas margens-areadas emoções-
Ah, se essa voz me soprasse
Flamejasse
No leito precipício
Dos meus desejos...


Karinna*

**** ****

Dossel*

Encerra as palavras necessárias
Imperceptíveis à primeira vista
Trazidas porém na força poética
Das imagens que povoam submersas

São motivos como afloram sentires
Esses em que não se ocultam momentos


Miguel Eduardo-

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

Sol* (réplica oferecida por Karinna*)





















RÉPLICA AO SONETO PAIXÃO



Sol*


E se a tarde quiser espaço
Molhando mansamente
Ardência do Sol no centro
Hora fértil recolhe-se na vértice
Fecundo ventre- estêncil.


Gesto fumegante
Suores das sementes
Brilho solar dos dias
Cânticos se misturam
Onde o coração sinfonia- fogo atiça.


Pele em estio
Passagem secreta
Predestinada em labor sagrado
Nas fissuras da carne ensolarada,
Ágeis as mãos... Sol enamorado.


Desemboca nos corpos
Licor de elogios
Reclinadas as hastes, laranja vestido
Memórias de águas efervescentes
Em giros de flores frágeis- colhemos trigo.


-Sol a pino-


Karinna*







PAIXÃO

Quando o sol estiver a pino regulado
E for um abraçar maior que pegue o mundo
O tempo será claro, azul, arregalado
Vestido só de céu, como um olhar profundo
Já nós seremos vento em fogo ornamental
Quando o desejo em júri seja percebido
Todo o meu será teu, esse calor vital
Exultante paixão, arbítrio todo ungido
Sem artifício algum, prazer em alto grau
Que escancarado sexo o tempo inteiro doma
E domando, o augurado gozo é a fatal
Ânsia de repartir certíssimo sintoma


Maior vício não há, atende por Paixão
Vingada em mim por não havê-la tido em vão


Miguel Eduardo-

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

INESPERADO CONSTELADO*

























INESPERADO

Dispo-me
Dos sonhos
Não dos hábitos
As pontas dos dedos sabem
Onde a língua prova o salgado
Acho-me de cor e salteado
Que está naquele ponto
O gosto só do pecado
Onde te encontro concentrada
E me perco desnorteado

Miguel Eduardo-



CONSTELADO*

Soletro-me
Em atos
Maliciosas ondulações
Deixam-te extasiado
Sou a impaciência
Do querer-me em ti
Realidade ou sonho tatuado.
Visto-me do teu gosto
Recebo-te firme na quentura
Somos astros em céu de loucuras...

Karinna*

domingo, 12 de dezembro de 2010

Testamento*-





Testamento*


sonha comigo devagar
nas dobras rutilantes das palavras
cria um verso prateado
numa tela pintada de maresia na alva
pinta a cor do infinito
no trincar das letras que pedem vida
não permitas que eu me vá assim
sem o gosto soberano deste vício
sem a verdade da poesia
que mora no teu sorriso...


Karinna*


**** **** ****


Vejo uma opacidade transparente
Que domino como me domino em sonho
Um sonho cor de rosa em tom azul
Que habita a indecifrável inconsciência...

Vejo anjos que não choram nem sorriem
Que epavoram-se ante a minha impaciência...


Miguel-
**
*












sábado, 11 de dezembro de 2010

A Última Ilusão Primeira*


















A Última Ilusão

Entre bravuras
Triângulo ornado
Num rito infernal
Tarado de segredos

Frutos efêmeros
Fundem-se ao nada
Reminiscências
Na cor do tempo

Este, que é pétala
Em queda ao fim
Como o outono
Numa folha dourada

Miguel-



*
Primeira*

Beges ais da respiração
Nas pegadas da areia curva
Especiarias sucumbem
Óleo escorre aceso.

Inauguradas grutas
Estalam maçãs em cheiros
Travessias calouras
Vermelho desemboca- suculento.

Veludo novo
Antes organza em dilúvio
Partido em filigranas
Nervuradas, deitado em ouro.

Ka*


A Última Ilusão Primeira*

Entre bravuras Bejes ais da respiração
Triângulo ornado Nas pegadas da areia curva
Num rito infernal Especiaria sucumbem
Tarado de segredos Óleo escorre aceso.

Frutos efêmeros Inauguradas grutas
Fundem-se ao nada Estalam maçãs em cheiros
Reminiscências Travessias calouras
Na cor do tempo Vermelho desemboca- suculento.

Este, que é pétala Veludo novo
Em queda ao fim Antes organza em dilúvio
Como o outono Partido em filigranas
Numa folha dourada Nervuradas, deitado em ouro.

Miguel-&Karinna*



sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

FELIZ NATAL





















Que este NATAL se faça de esperanças
E que todas as cores tomem a mais bela forma
Para que eu possa assim os "ver", meus amigos
Das magníficas mãos universais
Em realizado sonho de festa
A pairar sorrindo PAZ.

FELIZ NATAL

Dezembro de 2010

Miguel Eduardo-

sábado, 4 de dezembro de 2010

ORQUÍDEA SELVAGEM*



















Orquídea Selvagem*

Esvoaçando segredos lavra os campos
Uma noite adivinha-se e as árvores se despem
A tarde o dia que arde alucinado amor
Nos corpos encontro supremo
Vãos e desejos que a posse esnoba.
Pontua a glória
A corola amarela o desejo floresce
Uma orquídea geme na imaginação
E impera se faz sentido.
Textura absoluta
Linhos, e amor espalha o aroma
Penhascos e febres que se pensa e sente
Cetim e prece em verso
-e mais nada-

Karinna* & Miguel Eduardo-



quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Pétalas- Granadas*



Pétalas- Granadas*

Transportando a mente sou guardião
Teus lábios um coração sôfrego
Rabiscam na fecunda noite
Idioma silencioso lateja a inquietação
Que afogueia o ser-doce açoite-
Insinuante verbo a língua faminta
Que acende a pele rastros de fogo
Tateando o nada antegoza o tudo
E se forma em torno-tremor pleno-
Do que é impossível
Dizer-te...

Miguel- & Karinna*

Granadas*

sou guardião
um coração sôfrego
na fecunda noite
lateja a inquietação
-doce açoite-
a língua faminta
rastros de fogo
antegoza o tudo
-tremor pleno-
'do que é impossível
dizer-te...'

Karinna*

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Promessa*-


Promessa*-

há um clarão na noite funda em lua que assumira
uma luz atiçada em olhos tesos o fio da meada das coisas
há uma flor vergada pelo vento que a natureza contempla
uma face corada pelo inverno em delicadeza jacente
um homem alumiado no peito... silencia o pensamento!
há uma vereda atapetada acenando sem sentir
uma alma coberta de seixos vislumbrando o momento
há um toque de delírio que alvoroça o respirar
uma lua cor de mel na vidraça futuro do prazer...


há um verso que balouça o dossel pétalas de prata
de uma solidão acamada em frase de efeito breve
há uma palavra que redime como um florido céu de estrelas...
um poema que resgata. realiza o que é pra já.


Karinna* & Miguel-


Promessa-


em lua que assumira
o fio da meada das coisas
que a natureza contempla
em delicadeza jacente
silencia o pensamento!
acenando sem sentir
vislumbrando o momento
que alvoroça o respirar
futuro do prazer...


pétalas de prata
em frase de efeito breve
como um florido céu de estrelas...
realiza o que é pra já.


Miguel-

Cúmplice*


Cúmplice // Chamado// Astral // Um Grito

uma palavra sonhada // possível// toma-me // de paixão
um sussurro repartido // canção presenteada// desejo febril // latente
uma solidão acompanhada... // a vida pede passagem!//sucumbo miragem... // nosso cheiro!

Karinna* // Miguel //Karinna* // Miguel

TRIPLIX






Encanto// Tórrido Caminho// Gritando Vontades

Refúgio da noite// luz ambarina// que o flerte começa
Submisso instante// perfumada gruta// a ânsia de sempre
Condição// -desperta e louca-// as sensações ordenha

Miguel // Karinna* // Miguel





foto - ellen von unwerth: brinquedos...



domingo, 7 de novembro de 2010

Por um Fio- Terra e Mar*


Por um Fio

A rolar poesia em torrentes
Suores de uma prosa teimosa
Vontade de encantos solenes
Essa crença violada e rouca
No quê da perturbação e tal
Mania que se faz insistente
Porque é sol que se insinua
Como porventura um sonho seja
De índole pura, extrema e nata

Miguel Eduardo-

***

Terra e Mar*


Mistérios dessa brisa
Um forte, uma ilha
Um sol que arde
Uma promessa de vida
Embrenhas-me
Teu cheiro é meu perfume
E o mar traz tua forma
Entre meus dedos
Um verso, um poema terreno
Incógnita atração
Um fio de maresia
Um desejo sem noção
Tal noite na proa
Corpos atracados
Em amorosa compulsão


-e a prosa se faz céu e chão-


Karinna*

***

-e a prosa se faz céu e chão-

Palavras do início
Do incêndio
De pele e de penumbra
Gritando a vida em fogo
-da ação o equilíbrio-

Miguel Eduardo-

Afago* / Jardim que Arde-


Afago* / Jardim que Arde-


na margem do sonho / pelo alto som
meço a dimensão das águas / da noite afora
e me perco entre incertezas / -leve sugestão
úmida de razão... / a íris brilha-
meu olhar é mudo / gesto intocado
por um instante sou só brisa / intacta
poesia um lago de palavras / cor da saudade
onde me deito e afundo... / preferida
tua presença é afago / ... e sou estrela
não sei se acordo ou sucumbo / em ecos!
sonho dourado em que me busco. / transparência...


Karinna* / Miguel -

sábado, 30 de outubro de 2010

LOUCURA TARADA





Loucura // Tarada

vestida // neblina
dos nossos... // delírios
pecados. // ao vento

Karinna* // Miguel




sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Carícia Solar Distingue-se





Carícia Solar // Distingue-se

teu Sol // inquieto sono
um toque // rumor primaveril
borboleta-flor...// uma canção!

Karinna* // Miguel


terça-feira, 28 de setembro de 2010

Luares das Rosas


Luares das Rosas*

Soavam certeiros
Como pétalas contentes os luzeiros
Tuas flores em torrentes
A decorar minha mente nas taças, as marés
E tudo era quase nada
No idioma dos odores a compreensão da noite
Silêncio era luz d’alva.
Que nem sei como dizer-te ao romper do sorriso absoluto
Desse it, inside me
Que meus olhos esquadrinham luares de outubro...

Miguel- & Karinna*

domingo, 26 de setembro de 2010

ALÉM DAS EVIDÊNCIAS- DE LUAS CLARAS*

























Colha a cor o nosso dia
Dunas do amanhecer no fremir nada estático
No rumor da tarde o olhar um dardo azulado
Tépida carícia haste de sorriso enluarado
Exercício da folhagem é mera lição de amor- flor sem pecado...

O poema é frágil, absoluta sensação
Póe-se no mar como o sol, deita-se com a manta da ilusão
Tímida pálpebra piscares amorosos se dão
Que mais escuta a cor desse som
E contempla a partitura da nossa una canção....

Grande montanha, bela fada imaginada
Não ignora o vale voeja entre as ramagens
Longo e interrogante o abrir-se em verdade
Porém tão breve o sulco da razão
Imaginação é mais que apenas intenção...

Miguel- & Karinna*


domingo, 19 de setembro de 2010

Melopeia*


Melopeia*

brumas, apenas o silêncio
um grito calado
tange a ausência
tal qual a lonjura
entre beijos...

neblina, apenas o segredo
um suspiro soprado
acolhe a dormência
tal qual a tessitura
entre meus medos...
*
Karinna*

*

Destino que toca
Como as cores
Tomam forma

Olha-se
E as árvores
Crescem

E
Aos primeiros sinais
Oferecem flores

Belas
Indomáveis
Cascatas

Na copa
Das árvores

Miguel Eduardo Gonçalves-

*

Sendo*_____Miragem*


*___________Miragem.*
Tudo em minha volta conhece meu desejo
O toque ouro da tua palavra... o ensejo.
Porém se não te alcanço não há verdade
E todos os segredos se revelam em saudades.
Teu nome sempre beija meus lábios
Teus gestos emocionados sempre me habitaram.
As noites, divido-as entre céu e terra
Guardando assim as nuances amorosas das quimeras.
E no compasso deixado por essa Paixão extrema
Diluem-se em aromas os beijos macios de rosa
As fragrâncias odorosas entre o verso e a prosa.
Avisto as pegadas do Amor que delinearam os contornos
Desse tempo raro que usurpamos em desacordos.
E o tempo do Amor tornou-se miragem
As carícias sonhadas rabiscaram pseudo imagens.
A sombras do que sinto cobrem meu sono
Embalam-me e depois devassam meus sonhos.
Deflorando-me em sete mil cores...numa sentença
Restou-me apenas a poesia da memória...uma presença.


Karinna*


**

Sendo *____________Miragem.*

O Tema
Não comento
Falo a respeito
Como um gesto concreto
Claro indício que permanece
Como pressentimento que eu tivesse

E nem os pensamentos mais submissos revelam
Por que o silêncio que tudo começa me faz festa?

É que há n'alguns dias o segredo ensolarado
Das palavras que são vida mas indizíveis
Por onde se alastram o sono dos sonhos
Quando já nem a luz mais diz nada
Como diz a manhã aos pássaros
Que desconhecem a tristeza
E se põem a cantar

Assim também
O mundo
Eleito
Vário


Miguel Eduardo Gonçalves-
*

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Constelação*


Constelação*

vejo estrelas
brilhantes e serenas
sinto estrelas
profundas e amenas
conto estrelas
de sonhos e incertezas
colho estrelas
quando te penso num poema...

Karinna*

Quando se vê estrelas salpicando na inspiração,
é porque tudo que traz a madrugada,
viajou na sinceridade onde situa-se
o mágico silêncio do poeta!

Miguel Eduardo Gonçalves

silêncio do Poeta
é ouro em filigranas
a alma em refúgio
palavra adormecida
num verso cochilando
nos braços da Poesia...

Karinna*

*

domingo, 1 de agosto de 2010

Absolutamente*


Absolutamente*

Que mais amor hei de falar-te
Cada palavra uma tília semeada
Em cada verso a cor da arte

Perfumes de rimas encadeadas
Poesia no imo rejubila e nasce
Na doçura da verve amada

E tudo é só afago
Na alma em que pulsa o bravo!

Karinna* & Miguel- ( mote )

Encostas* & Dunas-


ENCOSTAS*

permito
mãos dadas
namoro de pálpebras molhadas...
derramado corpo nos sentidos
no limiar da noite, pulso madrugada!
(me tocas e sou melodia)
nus, reivindicamos beijos
meus são os teus caprichos
orgasmo da aurora do dia
deuses em nossos olhos giram
mil prazeres nas encostas!

Karinna*


DUNAS

escolho
sucessivas ondas
em segredo redimido...
primeiro sentido
que contemplo!
(breve renúncia)
acima das nuvens
são meus motivos
nascentes
prazer infinito
que nos inventa!

Miguel-

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Inspiração Bravia

























Inspiração- Bravia*

Como forte um poema cresce a dor de ter-te
À procura do pensamento entre tempestades
Mãos que tocam ouro intensamente

E o astral por etapas fala teu corpo
Libera-se num recital de versos
Em rotas alumbrando o sexo

Precioso convite o compor grita libido
Essa mulher divina poesia
Sonho de uma rima- gêmea lira -

Por isso eu solene divago na linha prateada
Feliz porque me experimento tua divindade
Enquanto o prazer empolga – amor sentido-

Miguel- & Karinna*

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Éter & Rosa*




Éter

Festa-Moça
Acalorada Rosa
Dança-Emoção

Que dança

Na boca vermelha
Cor de tango
Sal e silêncio

Que dança

Nos olhos revirados
Quase estranhos
Da cor do pecado

Que dança

A forças musicadas
De tirar do chão
Saliva e paixão

Que dança

E as nuvens tremem
E meu Sol
Requebra-se inteiro

Miguel-


Rosa*

De ti é essa canção no meu mundo
Um mimo teu pensamento no meu corpo
Vontade de ti, rima que pulsa- um céu fecundo-

Noite toda sou rosa na tua cítara
Acordo teu Sol, guardando em mim tuas estrelas
Danço em véus na alma de tuas carícias

Luxúria borda um xale- poema cristalino-
De ti é esse ritmo no meu sonho
Real fascínio- palavras balouçam sem tino-

Karinna*

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Em Líquido Gemido* / Escolho-


Em Líquido Gemido* / Escolho

Nas estrelas que lambo / sucessivas ondas
Sede ávida, ninho de anjo / em segredo redimido...
No caminho / primeiro sentido
Flora e fascínio... que contemplo!
-morrendo de amor- / (breve renúncia)
À beira do mundo / e acima das nuvens
Crestar o corpo no teu Sol / são meus motivos
Da tua chama em glória como esta / nascentes
Palavras de êxtase e sonho / prazer infinito
Como arde fogo na nossa floresta / que nos inventa!

Karinna* / Miguel

Décima com réplica de Karinna*


















Mapa da escuridão inebriada
Já nos teus olhos abre-se brilhante
Num corpo em claridade leve e intacta
E posso ver-te obra florescida
Em paisagem que aos olhos faz enfeite
E em linha dos suspiros mais secretos
Quero tocar na flor perpetuando
Líquidos vivos, línguas metafísicas
Em que a noite galopa insaciável
Num instante em que extático te miro

Miguel-


E, Karinna* replica:


Júbilo*

Vestida de sonhos
Em luas de veludos
Pigmentos sonhadores
Rebrilham paisagem
Nas pálpebras ungidas
Estrofes de amores...
Desnuda de reticências
Sonata de dedos
Refulge o templo esguio
Um gesto suspenso
Um meneio de improviso...
Coberta de doçuras
Alma cantarola um acorde
Sopro de rendição
Promessa a prumo
Flor desnuda intumesce
Um convite grifa a pele
-desejos maduros-

Karinna*

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Madrugada* Reza-

Madrugada* / Reza-

A voz do corpo cresce / interpretação
Se dispo-me Lua / não exercito a poesia
Langorosa na noite / tempestade
Meigamente pura / submissa
A vontade brada herege / tristeza antiga

Traço letras em teu leito / vou à origem
Sou fenda oculta do céu / orquestral
No fremir das tuas veias / além cânticos...
Do que foste e ainda és / infernal
Prostro-me ao pulsar do teu tempo / vento de beijos!

No fascínio que nos verga / aprendo a desejar
Na adaga que nos corta / esparramando-nos
E o lume que nos guia / não disfarça
Dilui-se na pele sonhada / cada momento-
A estrela para, o olhar treme / embascado
Nosso nome único geme / zumbe na alma...
No ventre carinhoso da madrugada. / Incêndio!

Karinna* / Miguel-

terça-feira, 22 de junho de 2010

Volúpia & Primordial

























VOLÚPIA

E ainda é a gula tanta que me insulta
Porquanto ali viveu o que me ardia
Essa que o pensamento mal oculta
Tanto tempo estrelou-me a companhia

Como um olhar certeiro mais exulta
E se aprofunda e faz da pose esguia
Nascer do fundo meu o que resulta
Ritual majestoso noite e dia

Lá onde a mente só faz uma orquestra
Pois cada acorde goza em pura orgia
Isto que sinto é música que amestra

Sou príncipe grão-mestre da lúxuria
Enquanto a vejo fome pela fresta
Que desmedida afaga a tal volúpia

Miguel-





E Karinna* opina em versos magníficos, sobre as minúcias do transe amoroso, que no entender da poeta, é a volúpia.





Primordial*

Corre sôfrego o ribeiro dos sentidos na volúpia dessa fonte,
minhas mãos já são borbulhas desenfreadas em quimeras
danço febril na artéria pulsante dessa espera.
Desemboco telúrica na majestade do teu abraço,
o encaixe perfeito do peito ao peito me assombra
e divago na brandura fértil- meu olhar agora é um laço.
Tremo na perfeição do teu toque túrgido,
desenhando a redondice do seio jóia
até a concha do ventre pérola, dedos e língua úmidos.

O centro do prazer gravita sem medo
tesouro na penugem macia esconde o mulher ser
sou princesa-deusa , castelã e fremo súdita no afã de te querer.
Fundo-me a terra-mãe e tu me aras, revolta e lavrada para a sementeira
são giros concêntricos, sou tua na palma, na língua
minha pele canta uma ária que só tu lês a melodia.
Soergues-me em ti, príncipe extasiado
passo de terra quente a etílico consentido fogo
à medida que teus movimentos moldam-me para o gozo.

E cravas tua alma na minha num ato físico e puro
e somos apenas essência e gemidos, anjos e astros
mares, epicentros, verdades e absurdos.
Planamos então abraçados, como se invisível tapete mágico
nos levasse pelo infinito numa espiral de vida sem tempo
onde o arco íris se decompõe com o nosso amoroso vento.
Então em espasmos, risos, cores, sons e redemoinhos
num diálogo único e doce de suspiros, pousamos na terra sem tocar o chão
repousamos os corações num beijo infinito, as frontes num bater uno cardíaco.
Agora somos novamente Amor primordial, o início de tudo
adormecemos nos braços da ternura que sacia
ciclo de Amor, perfume raro, volúpia que vida irradia.

Karinna*

LÍNGUA URGENTE EM LÍQUIDO GEMIDO



















LÍNGUA URGENTE

Sem tempo ao tempo
Somente sexo
Prazer tangente
Germina carícia
E a lava
Deixa a montanha
Entre os caracóis
E o riso
A mente semeia
E a carne vibra

Miguel-



LÍNGUA URGENTE EM LÍQUIDO GEMIDO

Sem tempo ao tempo nas estrelas que lambo
Somente sexo sede ávida, ninho de anjo
Prazer tangente no caminho
Germina carícia flora e fascínio...
E a lava -morrendo de amor-
Deixa a montanha à beira do mundo
Entre os caracóis crestar o corpo no teu Sol
E o riso beber da tua chama em glória como esta
A mente semeia palavras de êxtase e sonho
E a carne vibra como arde fogo na nossa floresta

Miguel- & Karinna*



EM LÍQUIDO GEMIDO*

Nas estrelas que lambo
Sede ávida, ninho de anjo
No caminho
Flora e fascínio...
-morrendo de amor-
À beira do mundo
Crestar o corpo no teu Sol
Da tua chama em glória como esta
Palavras de êxtase e sonho
Como arde fogo na nossa floresta

Karinna*

sexta-feira, 11 de junho de 2010

Barco Lua* Sintoniza o Dia-

*
Barco Lua*

É cristalina
A maré das brumas
Eu sou a Lua
O barco meu sonho.
Eu sou o barco
A Lua meu ponto.

Sou sopro pueril
Viajo no peito
Ingênua a dança
Olhar da meninice
O sonho alcança.

Dossel de ternuras
As ondas
Vagas do sono
Sou pura Lua
E as pérolas princesas
Moram no meu olho.

Teias lunares e encantos
Acordo manhãs ensolaradas
Menina em outra falua
Sem esquecer-me
Do meu barco
Recortado em desenho da Lua.

Karinna*

***

Barco Lua* Sintoniza o Dia-

É cristalina a certeza
A maré das brumas prometida
Eu sou a Lua coerente...
O barco meu sonho, doce e colorido ´eu´
Eu sou o barco, o momento sonhado...
A Lua meu ponto. Utopia final.

Sou sopro pueril, um rabisco
Viajo no peito, insinuo
Ingênua a dança estado de crença
Olhar da meninice balança...
O sonho alcança. Para enlouquecer!

Dossel- de ternuras me evocam
As ondas quando escrevo
Vagas do sono na areia
Sou pura Lua minhas horas
E as pérolas princesas enigmáticas
Moram no meu olho. São o poema...

Teias lunares e encantos projetam-se
Acordo manhãs ensolaradas, estampas floridas
Menina em outra falua, brasa forte
Sem esquecer-me que o vento comanda
Do meu barco o destino...
Recortado em desenho da Lua. Meus pores do sol!

Karinna* & Miguel Eduardo-


***

Sintoniza o Dia

A certeza
Prometida
Coerente...
Doce e colorido ´eu´
O momento sonhado...
Utopia final.

Um rabisco
Insinuo
Estado de crença
Balança...
Para enlouquecer!

Me evocam
Quando escrevo
Na areia
Minhas horas
Enigmáticas
São o poema!

Projetam-se
Estampas floridas
Brasa forte
Que o vento comanda
O destino...
Meus pores do sol!

Miguel-

*