Sobre o Blog...

Encontro poético em que inexiste a cronologia dos poemas. Pensamos em deixar registrada uma obra que reúna qualidades individuais sob um mesmo timbre, nossa marca entendida lado a lado. Registro de luz em olhares gêmeos fecundados na sementeira do verso... Quatro mãos, uma Poesia, almas em parceria.
Miguel- & Karinna*

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

AO ORVALHO - SÚBITO...





AO ORVALHO

No fundo – no fundo
Uma celeste flor distante
Fundo melancólico tão fundo
Longe, perdido entre as estrelas
Ansiava por vermelha aurora
Onde ela, tão querida fosse
Engalanasse a relva toda
Sem ais perdidos
Nem sons brancos de lua
E viva essência talvez
Da voz que busca
Na ausência sabedora
A sonoridade gigante
Esboçada em eterna faina

Miguel Eduardo

e Karinna* responde

SÚBITO

Dói-me esse cinza
Um verão sem cor
Um céu quis ser fecundo
Nudez vestiu-me sonho mudo

Dói-me esse grão ferido
A rama num sono aceso
Fincando saudade em adereço

Dói-me e já nem sei
Se a flor era estrela
Ou se o Sol era tua tez...

Dói-me.

Karinna*

Um comentário:

Karinna* disse...

*Esse teu ORVALHO doeu-me. Não um doer dilacerante, mas um doer cálido e tocante... coisas que só a POESIA compreende.
As imagens que passas chegam a flutuar de tão soberbas e levemente sensoriais.
Talvez minha interação não pareça combinar, mas para mim, doeu-me.
Tu és Poeta de primeira grandeza.
K*