Sobre o Blog...

Encontro poético em que inexiste a cronologia dos poemas. Pensamos em deixar registrada uma obra que reúna qualidades individuais sob um mesmo timbre, nossa marca entendida lado a lado. Registro de luz em olhares gêmeos fecundados na sementeira do verso... Quatro mãos, uma Poesia, almas em parceria.
Miguel- & Karinna*

terça-feira, 23 de março de 2010

Das Uvas o Mimo


Das Uvas o Mimo

O sumo astuto
Do estar-se liberdade
A boca-uva fértil

A guitarra no cantar
Os caminhos dos dedos consegue
Opalas- ser

A heresia excede-se
Pura troca
Em sustenido...da lisonja

A flor foice
Da língua torneando
Avaros os corpos- vaidades

-nos cestos das uvas o cio da colheita-

Karinna* & Miguel Eduardo

quarta-feira, 17 de março de 2010

Salubre*


Salubre*

Preciso recitar-te na boca
Que ressurja
Numa oratória de paladares
Oráculo da moda
Pois já não tenho olhos
-mero enfeite-
Que sejam só olhares
Odaliscas
São mãos...
Realce aos espelhos
Juntas e nós desse sal
Ilusório...
Que chamamos de Amor
Nu.

Karinna* & Miguel Eduardo Gonçalves-

terça-feira, 16 de março de 2010























BOLERO Vermelho


E logo ela me inflama

Vestida de sonhos escarlates

Com seus passos certos e precisos

Sem pudores, sem recatos... doce ataque.

Se distendendo ao meu redor

Na maciez dos cabelos um cravo,

Afixada no olhar

Toda a ânsia da entrega, num céu claro...

Séria e ágil alastra-se volteando

Penugem dourada da coxa me espia

Na ponta dos pés erguida

Cerejas nos lábios... boca que convida.

E de um suspiro breve

Rendado peito freme pontiagudo

Pela sutileza do bolero

Antegoza o ápice suculento, maduro...

Incendeia-se inteira...

Volátil, em chamas, cerceia...

E perde o ar austero!

Derrama-se... e me faz cativo eterno.


*Miguel & Karinna*

quinta-feira, 11 de março de 2010

CARÍCIA AMADA UM TRIGAL
















Carícia amada um trigal
Companheira a dádiva
Mágoa azul esquecida
Exilada, sou tua pátria...

Dum sonho de sereia encantada
Acordou a madrugada com o vento
Poeira de amor sem dores
Razão do êxito a cópula sem segredos...

Mal madura a sede, o pão
Ainda a fruta, o querer-se doidamente
Sou tua mulher- digo-te voz da paixão...


Miguel Eduardo & Karinna*


quarta-feira, 10 de março de 2010

Idioma* Fabuloso-


Idioma* Fabuloso

Acorda-me o horizonte das palavras
um mínimo verso
Vitorioso nessa renitente espera
jeito de querer
De ouvir-te, quiçá, um som, uma reza
fração que afiance
Detenho o vislumbrar do teu alfabeto
linguagem única
Nesse idioma amoroso que trazes, quem sabe, na boca
o além de tudo
Acalentando a confissão numa jura louca
ao máximo
Despido de qualquer pudor, qualquer covardia
um gole de ti
Percebo o desenhar das sílabas carinhosas
para fechar a rima
Tomando forma na tua boca beijável... amorosa
a rimar com lábios
Quase sinto na derme o som que anseio
cada momento
Irrompes então o silêncio... palavras como beijos
sorte carmim
E dizes... com a boca, com o corpo, com a alma
como as pupilas sabem
Que me amas... que sou tua amada
que somos tudo enfim.

Karinna* & Miguel Eduardo-

sábado, 6 de março de 2010

VOYEUR Abissal*


VOYEUR Abissal*

Céu de claridade violenta
Claros olhos de violeta, abissais.*
Você de seda
Ar intumescido, entorpecente,*
Saída dos vapores matinais
Num traquejo de mistérios*
Efervescente.*

Louco às gargalhadas
No terraço o mar
Lambendo o nosso dia*
Amanhecido, dessa loucura cativo*
Em marulhos trazendo ondas apaixonadas,*
Refém da noite
Que se fora enluarada

Nu, senhor de si
Soberano autor do dia*
Um raio oblíquo de sol
A deixa nua, e de repente
Tomado da sua magnificência*
Alastra-se e expande
A sua beleza lancinante
Vestindo meu olhar de ardências*
Que se satisfaz
Enfim

Mero olhar erótico?
Convulsão da mente?*
Sinapse?*
Talvez...
Se olhar e ver forem idênticos!

Miguel Eduardo Gonçalves & Karinna*

quarta-feira, 3 de março de 2010

Açucenas*

*
Açucenas*



-ser a dança dos perfumes-



aveludada a carne que palpita
prazer perfumado que antecipo
na luz que me dissolve fragrância



-ser a melodia dos gemidos-



feito sopro de puro desejo
parte do teu infinito e plena
um pórtico enfeito de tílias



-ser jardim de açucenas-



Karinna*








-ser jardim de açucenas-



A própria sutileza
Alegria caprichosa
Instante da imaginação
Que ilumina o Iris
Onde a busca passeia...
Nada é mais nada
Que o diminuto lapso
Sentimento breve
Da sensação
Que o céu disfarça
Mas não nega!



E faz delirar, até florir.



M-