Sobre o Blog...

Encontro poético em que inexiste a cronologia dos poemas. Pensamos em deixar registrada uma obra que reúna qualidades individuais sob um mesmo timbre, nossa marca entendida lado a lado. Registro de luz em olhares gêmeos fecundados na sementeira do verso... Quatro mãos, uma Poesia, almas em parceria.
Miguel- & Karinna*

terça-feira, 22 de junho de 2010

Volúpia & Primordial

























VOLÚPIA

E ainda é a gula tanta que me insulta
Porquanto ali viveu o que me ardia
Essa que o pensamento mal oculta
Tanto tempo estrelou-me a companhia

Como um olhar certeiro mais exulta
E se aprofunda e faz da pose esguia
Nascer do fundo meu o que resulta
Ritual majestoso noite e dia

Lá onde a mente só faz uma orquestra
Pois cada acorde goza em pura orgia
Isto que sinto é música que amestra

Sou príncipe grão-mestre da lúxuria
Enquanto a vejo fome pela fresta
Que desmedida afaga a tal volúpia

Miguel-





E Karinna* opina em versos magníficos, sobre as minúcias do transe amoroso, que no entender da poeta, é a volúpia.





Primordial*

Corre sôfrego o ribeiro dos sentidos na volúpia dessa fonte,
minhas mãos já são borbulhas desenfreadas em quimeras
danço febril na artéria pulsante dessa espera.
Desemboco telúrica na majestade do teu abraço,
o encaixe perfeito do peito ao peito me assombra
e divago na brandura fértil- meu olhar agora é um laço.
Tremo na perfeição do teu toque túrgido,
desenhando a redondice do seio jóia
até a concha do ventre pérola, dedos e língua úmidos.

O centro do prazer gravita sem medo
tesouro na penugem macia esconde o mulher ser
sou princesa-deusa , castelã e fremo súdita no afã de te querer.
Fundo-me a terra-mãe e tu me aras, revolta e lavrada para a sementeira
são giros concêntricos, sou tua na palma, na língua
minha pele canta uma ária que só tu lês a melodia.
Soergues-me em ti, príncipe extasiado
passo de terra quente a etílico consentido fogo
à medida que teus movimentos moldam-me para o gozo.

E cravas tua alma na minha num ato físico e puro
e somos apenas essência e gemidos, anjos e astros
mares, epicentros, verdades e absurdos.
Planamos então abraçados, como se invisível tapete mágico
nos levasse pelo infinito numa espiral de vida sem tempo
onde o arco íris se decompõe com o nosso amoroso vento.
Então em espasmos, risos, cores, sons e redemoinhos
num diálogo único e doce de suspiros, pousamos na terra sem tocar o chão
repousamos os corações num beijo infinito, as frontes num bater uno cardíaco.
Agora somos novamente Amor primordial, o início de tudo
adormecemos nos braços da ternura que sacia
ciclo de Amor, perfume raro, volúpia que vida irradia.

Karinna*

Um comentário:

Karinna* disse...

*Nossos olhares poéticos nesse ítem parecem-me tão próximos.
Infinitas minúcias permeiam o transe amoroso...
Acredito que não há Poesia "de chega" para esse tema!rsrss
Particularmente considero essa nossa interação fabulosa, mesmo que inusitada, por ser um soneto com uma réplica em prosa.

Grata, grata e grata.
BjM-
K*