Sobre o Blog...

Encontro poético em que inexiste a cronologia dos poemas. Pensamos em deixar registrada uma obra que reúna qualidades individuais sob um mesmo timbre, nossa marca entendida lado a lado. Registro de luz em olhares gêmeos fecundados na sementeira do verso... Quatro mãos, uma Poesia, almas em parceria.
Miguel- & Karinna*

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

Devaneios e Réplicas*



Cativa*

Perfumas-me a nuca com teu doce hálito de versos inquietantes.
Desenhas tua poesia nas curvas do meu corpo em fúria...onde recebo-te em enlace desejoso e versado em letras azuis e doiradas,no tropel fremente desses instantes.
Sussurrada em meu ouvido chega-me tua palavra que me torna assim...cativa e fascinada...prisioneira e acarinhada...doce e amada.
Sinto-te aqui...na derme macia e de fragrâncias baunilhas do arfar fremente do meu colo ansioso pelo teu lábio rubro...sinto-te além...na alma enleada pelo teu encanto.
Meu versar corre puro na correnteza desse idílio moreno...saboroso...maduro.
Teu verso dedilha com dedos santos o contorno da poesia que abraça meus quadris em suave dança de palavras que ensaiam esse canto.
Mapeio teu rosto másculo com os dedos e traço tuas feições com a alquimia da minha língua pela tua...num momento de desejo feliz... sem pranto.
Guardo na sensação táctil dos sentidos aguçados pela tua incursão em mim...e eu em ti...todos os desenhos alucinantes da hombridade do teu guerreiro corpo, que despido da túnica de guerra, entrega-se ao meu prazeroso acalanto.
Torno-me teu oásis luxuriante, onde afundas comigo no verde jade desse mar de palavras e sentimentos flutuantes... no embate de corpos- versos que traduzem um místico querer da pele a pele sem fim...na calmaria inebriante que se segue após derramares teu gozo inundado em mim.
E os lábios meu poeta eleito... os lábios sedentos e saciados encontram-se em escarlate beijo de delícias e selam esse momento sem fim.
Embebida de ti, tomada pelo teu Eu, inebriada pelo teu encanto, não sou sozinha...
Ditosos momentos são...toques mágicos da tua alma na minha.


Karinna*

Poeta Miguel devaneia lindamente:

Hoje me chamo estrela...

Palavras no primor que todo olhar namora, constroem o dia olhando aquela flor, para aumentar as horas que, gentis, no mundo decompõem-se em grata essência.
A natura não dá de graça coisa alguma, mas perdura em seres insuspeitos, numa folha que cai no fogo que devasta, na criança que nasce do amor quando aparece e quando se esvai precocemente, arrancado de si o mágico sentido.
Tudo isso me serve para pensar no agora ou no cerimonial que impõe da alma o rito, fogo tão grande ou alma tão pequena, que harmoniza a vida e nos inventa.
Assim, Cativa* representa a inquietação, mas essa é feita só aos galhos secos, despidos de seiva, que o vento agita e prende, como as lágrimas silenciosas, que choram a prece das raízes, e ninguém vê!

Miguel Eduardo-


*Eu, como sempre deslumbrada, continuo:

Liberta*

hoje me chamo estrela
e o brilho absurdo das dores
pontiagudas têmporas
levam-me até o não sei
num doce e solitário vai e vem...

hoje me chamo estrela
e por um instante sublime
sou parte de um céu de sorriso
de um beijo de olhares
de um verso íntimo e inquietante
que me impele ao ser infinito...

hoje sou estrela
e apenas amo e vivo.

Karinna*

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